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		<title>Poeta &#193;lvaro Alves de Faria</title>
		<link>http://alvaroalves.blog.terra.com.br</link>
		<description>Nasceu na cidade de S&#227;o Paulo em 9 de fevereiro de 1942. 
&#201; jornalista, poeta e escritor. Tem forma&#231;&#227;o em Sociologia e Pol&#237;tica. Mestrado em Comunica&#231;&#227;o Social.</description>
		<language>pt-BR</language>
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		<category>Outros</category>
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			<title>Na contram&#227;o</title>
			<link>http://alvaroalves.blog.terra.com.br/na_contramao</link>
			<pubDate>22.07.07</pubDate>
			
			<description>Passo a ser um exilado da poesia brasileira. Gra&#231;as a Deus. A ordem agora &#233; manter dist&#226;ncia de muita gente. A mediocridade cansa. Chega uma hora em que n&#227;o d&#225; mais para conviver com ela. A sa&#237;da &#233; a poesia de Portugal. Pelo menos para mim. Cansei tamb&#233;m desse jornalismo que se diz cultural e que n&#227;o tem compromisso com absolutamente nada. &#201; o desencantamento completo. Pobre poesia brasileira, descontadas algumas exce&#231;&#245;es. Sou de uma gera&#231;&#227;o de poetas, dos anos 60, que &#233; feita de alguns nomes s&#233;rios. Cansei de ver nomes de &#8220;poetas&#8221; inventados da noite para o dia pela chamada m&#237;dia cultural, que n&#227;o resistem a uma cr&#237;tica razo&#225;vel. Cansei desses que ocupam as reda&#231;&#245;es com as regras do AI-5 ainda debaixo do bra&#231;o. No tempo da ditadura militar era mais f&#225;cil. No tempo da ditadura militar eu criei e editei por doze anos o suplemento cultural do extinto Di&#225;rio de S&#227;o Paulo. Era um suplemento democr&#225;tico. No fechamento, nas sextas-feiras, muitas vezes tive um censor da Pol&#237;cia Federal ao meu lado. Hoje os censores s&#227;o outros, muito piores. No tempo da ditadura militar eu fui preso cinco vezes pelo Dops, por falar poemas no viaduto do Ch&#225; (&#8220;O serm&#227;o do viaduto&#8221;) com microfone e quatro alto-falantes. Mas no tempo da ditadura era mais f&#225;cil. Eu vivo num pa&#237;s onde o presidente da Rep&#250;blica &#233; um traidor de si mesmo. Se n&#227;o &#233; traidor de si mesmo, ent&#227;o mentiu a vida inteira. As duas circunst&#226;ncias s&#227;o lament&#225;veis. Eu vivo num pa&#237;s onde o ministro da Cultura se vangloria de ter fumado maconha at&#233; os 50 anos. &#201; uma quest&#227;o de gosto. Ao pa&#237;s n&#227;o diz respeito. Eu vivo num pa&#237;s onde uma revista de circula&#231;&#227;o nacional publica o an&#250;ncio de uma caneta que custa 640 mil reais. &#201; uma afronta. Eu vivo num pa&#237;s em que a classe pol&#237;tica &#233; s&#243;rdida. Eu vivo num pa&#237;s em que guerrilheiro do Araguaia se transforma num boneco. Eu vivo num pa&#237;s onde Cazuza &#233; chamado de poeta de uma gera&#231;&#227;o. Mas o que &#233; que isso tem a ver com a literatura, com a poesia, com o jornalismo ? Tem tudo a ver. O tal jornalismo cultural &#233; um jogo de cartas marcadas que faz e desfaz da informa&#231;&#227;o ao bel prazer. A mediocridade reina, &#233; forte. Os que me t&#234;m como uma pessoa recatada e at&#233; delicada est&#227;o assustados com estas afirma&#231;&#245;es. Mas &#233; assim mesmo. Cheguei de Portugal onde fui lan&#231;ar meu novo livro de poemas &#8220;Sete anos de Pastor&#8221;. Antes de viajar dei uma entrevista ao poeta Floriano Martins, de Fortaleza, para a revista &#8220;Agulha&#8221;. Abri a alma. Deixei que falasse por mim. As minhas declara&#231;&#245;es assustaram muita gente. Floriano teme que eu passe a id&#233;ia de ser uma pessoa ressentida. O poeta Carlos Felipe Mois&#233;s pede-me pondera&#231;&#227;o. Diz, com raz&#227;o, que n&#227;o posso generalizar. Afirma que apesar de tudo existem pontos positivos na poesia brasileira e tamb&#233;m no jornalismo cultural. Lembra-me que sempre foi assim. N&#227;o mudou nada. Est&#225; certo, at&#233; porque n&#227;o gosto de generalizar nada. Mas a democracia ainda n&#227;o chegou &#224; informa&#231;&#227;o cultural. Eu sou jornalista. Como cr&#237;tico de literatura recebi por duas vezes o Pr&#234;mio Jaboti de Imprensa. Sei bem o que e do que estou falando. &#201; duro dizer, mas no tempo da ditadura havia mais democracia nos meios culturais e na m&#237;dia. N&#227;o d&#225; mais para conviver com isto. Em rela&#231;&#227;o &#224; poesia e &#224; literatura em geral, esse quadro melanc&#243;lico ocorre tamb&#233;m nas universidades. Uma vez, em Portugal &#8211; mais exatamente na Universidade do Porto - o poeta Ferreira Gullar me disse estar cansado, por exemplo, de ler textos sobre Baudelaire escritos por pessoas que nunca leram um &#250;nico verso de Baudelaire. Disse-me que os suplementos culturais est&#227;o sendo editados sem consci&#234;ncia do que se est&#225; fazendo. Gullar tem raz&#227;o. &#201; muita leviandade. &#201; muita ignor&#226;ncia pura e simples. Sem falar na m&#225; f&#233;, no mau car&#225;ter. O Brasil &#233; um pa&#237;s sem sorte. &#201; uma ang&#250;stia. &#201; o pa&#237;s da m&#250;sica sertaneja. Da poesia usada por alguns fac&#237;noras que n&#227;o teriam vez num pa&#237;s civilizado, com jornalismo cultural honesto. Essa l&#225;stima tamb&#233;m atinge a prosa. O conto. O romance. Ser&#225; sempre preciso ressalvar que existem as exce&#231;&#245;es. Existem. Mas est&#225; demais. &#201; um jogo de favores m&#250;tuos. E assim o jornalismo cultural caminha neste pa&#237;s infeliz. Sou um poeta exilado da poesia brasileira. Gra&#231;as a Deus. Encontrei minha liberta&#231;&#227;o. Estou fora e &#8211; convenhamos &#8211; isso n&#227;o vai alterar em nada a ordem das coisas. Tenho um poema que faz parte do livro &#8220;A Palavra &#193;spera&#8221;, publicado no Rio de Janeiro em 2002, que termina assim: &#8220;Toda a poesia brasileira/ guardo numa caixa de sapatos/ e ainda sobra espa&#231;o/ para as coisas que n&#227;o desejo mais&#8221;. Esses versos nunca me serviram tanto como agora. Toda a poesia brasileira cabe numa caixa de sapatos. Cansei das vaidades. O que vale mesmo &#233; o poder. &#201; o marketing. O que vale de verdade &#233; a sordidez. O constrangimento &#233; absoluto. Os que conseguem ainda pensar neste pa&#237;s talvez tenham ainda o direito de se indignar. Mas eu n&#227;o tenho muita certeza disso. Pensar est&#225; dif&#237;cil. Os livros da turma, por exemplo, aparecem em longas mat&#233;rias com fotos coloridas em todos os suplementos culturais especialmente de S&#227;o Paulo e Rio de Janeiro e em todas as revistas num mesmo final de semana. Os textos s&#227;o todos parecidos. H&#225; at&#233; palavras de elogio repetidas. Frases inteiras. Tudo igualzinho. Tudo orquestrado. Some-se a isso alguns &#8220;jornalistas&#8221; que escrevem sobre tudo e at&#233; se dizem escritores. Na verdade, s&#227;o servis e med&#237;ocres. Os poetas e escritores verdadeiros est&#227;o escondidos. N&#227;o h&#225; espa&#231;o para eles. N&#227;o h&#225; espa&#231;o para a boa poesia. N&#227;o h&#225; espa&#231;o para a boa prosa. A minha sa&#237;da particular foi buscar em Portugal a poesia que me falta no Brasil. Repito: isso n&#227;o vai mudar em nada a ordem das coisas. O Brasil &#233; um pa&#237;s de muitos poetas e nenhuma poesia. A poesia brasileira &#233; assassinada todos os dias por gente inconseq&#252;ente, com a ajuda de um jornalismo cultural leviano e mentiroso, com algumas poucas exce&#231;&#245;es. Alguns amigos dizem, como Floriano Martins, que eu corro o risco de parecer uma pessoa ressentida. Eu esclare&#231;o: n&#227;o pare&#231;o, eu sou uma pessoa ressentida. Mas prefiro dizer indignada. N&#227;o d&#225; mais para conviver com isto. Acho mesmo que sou uma pessoa muito antiga. Uma pessoa ainda rom&#226;ntica. Uma pessoa que ainda acredita na poesia. Tanto que busco em Portugal a poesia que me falta neste pa&#237;s de equ&#237;vocos. Tenho 19 leitores em Portugal. Tento respirar. No Brasil &#233; sufocamento. No Brasil &#233; suic&#237;dio lento. Como n&#227;o tenho tend&#234;ncias suicidas, fujo para longe. Gra&#231;as a Deus nada mais tenho a ver com a poesia brasileira. Uma poesia que est&#225; a merecer mais respeito. Chega de v&#226;ndalos e aventureiros. Na ditadura militar era mais f&#225;cil.</description>
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